Confira os momentos marcantes do julgamento de Chapo Guzmán nos EUA

Por Laura BONILLA
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O criminoso mexicano Joaquín "Chapo" Guzmán foi declarado culpado de traficar ou tentar traficar pelo menos 1.213 toneladas de cocaína para os Estados Unidos durante 25 anos, além de maconha, pasta de cocaína, heroína e metanfetaminas

O curioso julgamento do mexicano Joaquín "Chapo" Guzmán em Nova York foi um mergulho surrealista dentro de um dos maiores cartéis de drogas, uma janela aberta para a vida até então misteriosa do chefão mexicano, famoso pelos túneis construídos para traficar drogas para os Estados Unidos ou para escapar da prisão.

Ele será sentenciado nesta quarta-feira (17) e deverá ser condenado à prisão perpétua pela gravidade de seus crimes.

Como numa série de TV sobre o narcotráfico, dezenas de personagens reais, incluídas 56 testemunhas do governo americano, entre eles velhos sócios do Chapo, rivais e até uma ex-amante, a agentes do FBI, a agência antidrogas DEA ou a Patrulha da Fronteira, relataram a história do criminoso.

Depois de três meses em que a promotoria apresentou uma montanha de provas, em 12 de fevereiro, um júri declarou Chapo culpado de traficar ou tentar traficar mais de 1.250 toneladas de drogas aos Estados Unidos, principalmente cocaína. Um juiz de Nova York pode sentenciá-lo à prisão perpétua nesta quarta-feira.

Estes foram os momentos mais marcantes do processo:

Torturas, assassinatos

Um ex-matador do Chapo, Isaías "Memín" Valdez Ríos, garantiu que viu o próprio chefe torturar e executar três traficantes rivais. Um deles foi enterrado vivo depois de ser baleado pelo líder criminoso, outros dois foram espancados a pauladas antes de serem executados e lançados numa fogueira.

A promotoria garante que el Chapo mandou matar ou torturou e assassinou com as próprias mãos pelo 26 pessoas ou grupos de pessoas.

Subornos

Dois ex-sócios do Chapo contaram como subornaram com milhões de dólares em dinheiro funcionários do alto escalão do governo mexicano para encontrar rivais, expandir o negócio e fugir das autoridades, bem como da polícia judiciária, federal e municipal, militares e até da Interpol.

Segundo o advogado do narcotraficante, Jeffrey Lichtman, também receberam propina dois ex-presidentes do México, Enrique Peña Nieto e Felipe Calderón, que negaram as acusações.

Chupeta

Com o rosto desfigurado por incontáveis cirurgias plásticas para modificar os olhos, nariz, mandíbula, bochechas e orelhas, o ex-chefe do cartel colombiano Norte del Valle Juan Carlos "Chupeta" Ramírez contou como com a ajuda do criminoso mexicano exportou mais de 400 toneladas de cocaína para os Estados Unidos entre 1989 e 2007, ano em que foi detido.

Chupeta, que confessou ter ordenado a morte de cerca de 150 pessoas e foi um dos principais fornecedores de cocaína do Chapo, disse que contratou seus serviços (com pagamento em droga) porque enviava os carregamentos para os Estados Unidos "superrápido".

Negociante

O ex-contador do Chapo, Jesús "Rei" Zambada, irmão do cofundador do cartel de Sinaloa Ismael "Maio" Zambada, relatou que o Chapo comprava cocaína colombiana a três mil dólares o quilo e a vendia em Nova York a 35 mil. "100%" da droga -entre 80 100 toneladas anuais- era enviada para os Estados Unidos, garantiu.

Milionário

Tratamentos de rejuvenescimento em clínicas suíças, uma mansão frente ao mar em Acapulco com um iate chamado "Chapito" na porta, ranchos em todos os estados, quatro jatos, um punhado de mulheres e um zoológico particular com leões e panteras, pelo qual ele passeava em um trenzinho.

Na década de 1990, a cocaína "era o melhor negócio do mundo" e el Chapo era o rei do México, relatou o ex-tesoureiro do traficante, Miguel Ángel "Gordo" Martínez, que escapou de quatro tentativas de homicídio ordenadas pelo ex-chefe.

"Viajávamos por todo o mundo (...) Brasil, Argentina, Aruba, por toda Europa, Japão, Hong Kong, Tailândia, Peru, Cuba, Colômbia, Panamá", enumerou. E para Macau "para apostar".

A amante

Uma ex-amante e ex-sócia do Chapo, Lucero Guadalupe Sánchez López, contou diante da mulher do ex-parceiro, Emma Coronel, como numa madrugada de 2014 ambos evitaram ser presos por fuzileiros mexicanos ao escapar por um túnel construído debaixo de uma banheira, numa casa de Culiacán.

El Chapo estava totalmente nu e saiu correndo na frente, deixando-a para trás.

Diretor de cinema

El Chapo queria produzir e dirigir um filme sobre sua vida, e trabalhou vários anos nesse projeto, disse seu ex-braço direito, o narcotraficante colombiano Alex Cifuentes.

Para essa produção, desejava contar com a assessoria da atriz Kate Del Castillo, com quem falava por telefone e queria que atuasse no filme, com roteiro elaborado em parceria com um produtor colombiano que chegou a ser contratado para a empreitada.

O outro Chapo

O criminoso mexicano e Alejandro Edda, o ator que o interpretou na série produzida pela Netflix "Narcos: México", trocaram cumprimentos no tribunal.

Edda disse que foi "estudar um senhor que de certa maneira é como um mito, uma lenda". El Chapo sorriu e disse ao advogado que seu intérprete não era tão alto quando imaginava.

A esposa

Emma Coronel, a esposa de Chapo de 30 anos, mãe de suas pequenas filhas gêmeas, acompanhou praticamente todos os dias do julgamento, olhando e sorrindo para o marido de 62 anos.

As autoridades não deixam a ex-rainha da beleza, que gosta de usar roupas apertadas e sapatos de salto alto, ter qualquer tipo de contato físico o ou por telefone com o narcotraficante.


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